Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
Almeida Garrett in Folhas Caídas(1853)

as coincidências...li duas vezes essa poesia nessa mesma noite numa roda de leitura poética numa cozinha familiar. Linda!
ResponderExcluirO amor...
ResponderExcluirSei la..
Mas o não te amo , tem soado mais sincero do que o eu te amo da boca pra fora...
com certeza Mah, a intenção é essa, ah Luh eu soube disso. bjo
ResponderExcluirAdorooo...não te amo! Quero-te...
ResponderExcluirAmar vem da alma...e querer.é CORPO!!!
Bjs manuu
dizer eu te amo, é como dizer um Oi...
ResponderExcluire o não te amo, tem sido dor
amor ou não amar?